quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

*

Porque é assim que o Natal deve ser...

[It's a Wonderful Life" de Franz Capra]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

resquícios





Porque continuo a enganar-me. E pior é que não consigo parar.
A verdade é que "era taõ bom" se fosse, de facto.

[Vivian Leight e Marlon Brando em "A Streetcar Named Desire"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

And The Nominees Are..._Golden Globe Awards

Considerados uma pequena previsão das previsões por uns, considerado uma coisa minoritária para outros.

O que eu sei é que elas já sairam:


As nomeações para os Globos de Ouro de 2010

Melhor Drama
Avatar
Hurt Locker
Sacanas Sem Lei
Precious
Up in the Air


Melhor Comédia ou Musical
(500) Days of Summer
The Hangover
It's Complicated
Julie & Julia
Nine

Melhor Realizador
Kathryn Bigelow, The Hurt Locker
James Cameron, Avatar
Clint Eastwood, Invictus
Jason Reitman, Up in the Air
Quentin Tarantino, Sacanas Sem Lei

Melhor actor de drama
Jeff Bridges, Crazy Heart
George Clooney, Up in the Air
Colin Firth, A Single Man
Morgan Freeman, Invictus
Tobey Maguire, Brothers

Melhor actriz de drama
Emily Blunt, The Young Victoria
Sandra Bullock, The Blind Side
Helen Mirren, The Last Station
Carey Mulligan, An Education
Gabourey Sidibe, Precious

Melhor actor de comédia ou musical
Matt Damon, The Informant!
Daniel Day-Lewis, Nine
Robert Downey Jr., Sherlock Holmes
Joseph Gordon-Levitt, (500) Days of Summer
Michael Stuhlbarg, A Serious Man

Melhor actriz de comédia ou musical
Sandra Bullock, The Proposal
Marion Cotillard, Nine
Julia Roberts, Duplicity
Meryl Streep, It's Complicated
Meryl Streep, Julie & Julia

Melhor actriz secundária
Penelope Cruz, Nine
Vera Farmiga, Up in the Air
Anna Kendrick, Up in the Air
Mo'nique, Precious
Julianne Moore, A Single Man

Melhor actor secundário
Matt Damon, Invictus
Woody Harrelson, The Messenger
Christopher Plummer, The Last Station
Stanley Tucci, The Lovely Bones
Christoph Waltz, Sacanas Sem Lei

Melhor guião
Neill Blomkamp & Terri Tatchell, District 9
Mark Boal, The Hurt Locker
Nancy Meyers, It's Complicated
Jason Reitman & Sheldon Turner, Up in the Air
Quentin Tarantino, Sacanas Sem Lei

Melhor filme de animação
Chovem Almôndegas
Coraline
Fantastic Mr. Fox
The Princess and the Frog
Up - Altamente!

Melhor filme estrangeiro
Baria
Broken Embraces
The Maid
Un Prophete
The White Ribbon

Melhor banda sonora
Michael Giacchino, Up
Marvin Hamlisch, The Informant
James Horner, Avatar
Abel Krozeniowski, A Single Man
Karen O. and Carter Burwell, Where the Wild Things Are

Melhor música original
"Cinema Italiano," Nine
"I Want To Come Home," Everybody's Fine
"I See You," Avatar
"The Weary Kind," Crazy Heart
"Winter", Brothers

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Porque homens assim...

[Gregory Peck]

[Paul Newman e Joan Woodward]

[Cary Grant]

[Clarke Gable]



já não se fazem!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Piano do Sexto Direito


Existe uma espécie de estado de espírito de pacífico amolecimento em ouvir o vizinho do andar de cima a tocar piano música após música - sempre à tarde, rotineiramente, no quarto da Madalena e no tom meio desvanecido que as paredes ainda permitem. Só se ouve no silêncio de uma casa vazia e no lusco-fusco das sete horas de dezembro.

Como agora.
Paz de alma empacotada vendem? É que eu de trabalho já nem falo e neste momento só Tchaikovsky dá uma mãozinha. Daqui a bocado volto para a despreocupação de ouvir uns FotC ou o rock corridinho de uma lista de músicas já batida. Mas haja paciência. No silêncio do lusco-fusco queremos é piano desvanecido.

(e por falar em músicas, tenho ainda pendente de modo flagrante a crónica do grande concerto dos Franz Ferdinad! se não foi grande foi intenso, e se não foi nem uma coisa nem outra vão-se lixar, que as dores do corpo e da alma quando cheguei a casa e percebi que a luta de um dia de meio da semana ainda não tinha acabado, foi de cair para o lado. oh, happy days!)
*

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

uma pérola.


"And they say that comedy is dead!"




Um encontro fantástico com uma ausência sentida de Palin e de Graham.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Reflexão das 4h30 da manhã


Meu Deus.
Quase 100 posts, quase um ano de crónicas e - quase sempre - a um passo da sanidade mental.



Existem duplas mais estranhas.


[Os grandes Flight of the Conchords na imagem. Sinto-me de momento demasiado espantada por esta reflexão e demasiado estupidificada pelas horas para escrever algo coerente.]

domingo, 29 de novembro de 2009

Um post tricotado a lã

Não me apetece-me falar de nada muito profundo - quero fazer um post despreocupado só mesmo pelo salúbre prazer de o fazer. Acima de tudo... quero falar para escapar à obrigação iminente de trabalhar no meu projecto em tamanho king size espalhado desordeiramente pelo chão e sem fim prático à vista.

A bem dizer, hoje estou "Caeiro".
Que se lixem as filosofias, as teses e os debates complicados. Que se lixem mesmo. Hoje fico reduzida a uma ponto tão insignificante como concentrar-me em trabalhar e apreciar a luz difusa de um sol de inverno disperso por este ambiente pós-neblina (ou pelo menos quando ainda havia esse sol de tarde horas antes).

Gosto particularmente destes dias pelo que são: frios e crus... mas incrívelmente solarengos. Não há dia de sol que saiba tão bem como o que vem em céu limpo a seguir às longas chuvas ou aos períodos de denso nevoeiro. Aquele raiozinho de calor que se destingue e aquece a parte de trás da nuca quando procuramos ter todas as partes do corpo o mais tapadas possível. E por falar em tapado, o gosto que dá um bom cachecol, daqueles de malha compridos; um sobretudo quente com grande botões; o ouvir uma música de ipod de manhã no reduto invencível dos agasalhos.
A sério, nem eu faço ideia quando é fiquei tão hospitaleira para Novembro e para esta altura do ano em especial. Um panfleto da Lux que recolhi ao acaso, no entanto, ilustrava perfeitamente este sentimento. Rezava assim:

"Precisávamos de razões novas para dançar. Precisávamos de mudar de clima e fazer descer a temperatura para termos o prazer de a fazer subir. À liberdade da pele à mostra, sucede-se agora o mistério bom de um sobretudo. E sobretudo, o frio é uma muito boa razão para nos aproximarmos e dançarmos para aquecer."
(aconselho vivamente a leitura integral do texto original)

Gosto de calor mas também começo a aprender a gostar do frio. Há simplesmente qualquer coisa de nostálgico. E com este pensamento de saudosismo em suspenso o Caeiro acaba de morrer.

[na imagem, Renée Zellweger e Colin Firth no Diário de Bridget Jones]

*

terça-feira, 24 de novembro de 2009

...

Tenho andado tão cansada que até no autocarro adormeço. E eu não sou pessoa de adormecer em transportes públicos. Tenho sempre medo de perder a paragem.
Trust me

[Amanda Seyfried na Vogue italiana dec09]


sábado, 21 de novembro de 2009

Oh my...

E parece que outro Natal se aproxima. As iluminações já foram acesas. As pessoas já aceleram o passo a caminho das várias e coloridas lojas. A pressa e o consumismo já despertou. A árvore de natal maior do mundo (e arredores!) já foi erguida. O Chiado está de roxo cor-de-luz-de-talho. Os separadores das diferentes estações de televisão também já graciosamente mudaram. As misericordiosas campanhas de solidariedade também já retomaram a sua tão eficaz engrenagem.


Oh my another Christmas it's coming....
[Anna Selezneva]

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Estranha Forma de Caos

Algo está mal no reino da Dinamarca. Ou talvez mal seja uma palavra simplesmente errada para empregar neste contexto, pelo carácter pesado e derrotista que vem a reboque. Com justeza, deveria dizer apenas que algo não está tão bem como parece - ou quanto deveria parecer - no reino da Dinamarca.

Vá lá. Não tomem isto como uma consideração aplicada a um panorama global do meu estado de espírito e muito menos sobre algo em particular - mas este é o mais perigoso tipo de considerações. É aquele tipo que se forma de uma massa indefinível de pequenos nadas (ideias dispersas, situações triviais, devaneios pela calada do pensamento) e aos quais pouco ligamos de início mas que se colam às roupas e à pele ao fim de um dia, de uma semana, de meses indeterminados... Aqueles que, quando damos por isso, tornam-se tão pesados (mesmo na sua imaterialidade) que apenas nos queremos libertar deles como num pequeno suspiro.

É uma estranha e ingrata sensação. Sinto-me no fundo... uneasy - e não há outra palavra que melhor o descreva.
Pelos breves períodos de caos mental, pelas fases de pura despreocupação e realização, ou pela sobriedade quase seca e racional de outros momentos; pelas questões sempre inacabadas, pela sensação de tentar agarrar-me a custo a pontos que julgava fixos mas também, por outro lado, pela procura frenética de mudança...

e este medo em surdina de que os mesmos erros se repitam sempre, sempre e sempre.

Vamos esclarecer isto: houve um definitivamente um passo dos ânimos em suspenso do ano passado para agora. Eu sinto e sei que houve. Mas então porque é que ainda não me sinto perfeitamente confortável na minha própria pele?

*
[A ouvir I Think I Love You do novo cd de Jamie Cullum, um dos docinhos tão esperados para estes dias frios e agridoces de Novembro. Eis uma música que não chama logo à atenção e que se enroscou e adaptou tão bem à escrita deste post, como tantas outras do rapaz - esta coisa que as músicas vêm até nós pela calada e escolhem o melhor momento para se acomodarem. Alan Rickman na imagem - porque às vezes parece que acordamos às três pancadas e o mundo é caos.]

domingo, 15 de novembro de 2009

Et voilá.

Parce que demain commence une autre semaine. Une semaine avec de nouvelles œuvres, de nouvelles conversations, de nouvelles inquiétudes et de nombreuses voyage en bus.


Parce que cet espace est une petite salle d'attente tous ses doublé de velours rouge et ses lustres de crystal. Entendez une mélodie délicieusement métallique sur une petite boîte. Et voilà. Le costume du danseur de la jupe en tulle rose danse ancienne, mais gracieux. Et malgré tout de nouveau demain, je peux encore avoir ces petites secondes de la contemplation.



[Ashley Smith para a revista "Russh" de Novembro por Benny Horne ] *vão ao site da Russh porque é muito giro!

sábado, 14 de novembro de 2009

Bolas, havia amor!_impressões de autocarro I

Ultimamente os meus dias têm-se resumido em viagens de autocarro. Entre o 728 e o 729, os meus pensamentos vagueiam como o fumo de um cigarrilha francesa. Sempre de ipod ligado, lá vou varrendo as ruas e caras com um olhar dessinteressado. Se bem que no que diz respeito às caras, consigo ser mais criteriosa, isto é, observo bastante e tento encontrar possíveis linhas de história. Mas atenção, já faço isto de uma forma completamente automática e imediata. Chega a ser cansativo afinal de contas são tantas caras diferentes, tantos nomes, tantas possíveis "histórias", tantas vidas. É estranho.

Houve um dia em que me cheguei a perguntar, como é que era possível existirem tantas caras, tão diferentes, sem nunca haver uma repetição em nenhum aspecto. Como é que é possível que cada pessoa consiga ser diferente à sua maneira se existem tantas no mundo. Terão de existir algumas repetições ou não? Se de facto cada um de nós tem uma cara única e singular, como é que é possível terem-se tantas e não haver uma "cópia de traço"? A questão é que não encontrei um único nariz ou boca parecida. Não. Cada pessoa é portentora de uma cara e portanto, de um nome, de uma possível "história" e de uma vida.
Tenho visto de tudo: desde adolescentes dessinteressadas e impacientes agarradas àquele pequeno retângulo luminoso a velhotas que no meio de tanto solavanco do autocarro, conseguem caminhar com uma sabedoria cuidadosa que já sabe bem quando e como se agarrar.
Miúdos irrequietos e barulhentos a mulheres trabalhadoras de olhar cansado com o seu saquinho de papel já bem amarrotado de tanto uso. Universitários tagarelas ou jovens introspectivos que nem para passar entre os restantes passageiros emitem algum som. Raparigas de cabelo já gasto de tanta descoloração feita e supostos "desportistas" de calções curtos. Mães com filhos ao colo e filhos, espevitados por sinal, sem mães ao pé. E muito mais há que com tempo logo retratarei com calma.

Então um dia destes, numa chegada a casa mais do que tardia, daquelas em que o céu já nem azul é-é uma espécie de preto meio ingrato-assisti a uma situação irritantemente romântica, estupidamente cúmplice e injustamente perfeita. No meio de um autocarro barulhento, cheio e húmido deitei o olhar para rua, como o faço milhares de vezes, e dei com um casal relativamente jovem.

Ele, mais alto do que ela, olhava para ela que estava junto a si, mesmo à sua frente e inclina-se para a beijar. Ela retribui. O beijo além de longo foi terno e sentido. De tal forma, que o me fez continuar a olhar foi a entrega da rapariga: esta deixou-se agarrar e com um suspiro que se manifestou por toda a sua espinha, entregou-lhe ali mesmo a sua vida, o seu ser. Não, não é exagero. Consegui ver o seu suspiro através das suas costas. Toda ela foi movimento. E ele, sólido e forte, recebe-a de olhos bem fechados e sorriso nos cantos da sua boca. Havia resposta, havia conexão. Bolas, havia amor!
Presenciei, ali por momentos, a uma coisa extremamente íntima e profunda, céus! Acreditem! Se tivesse olhado para outro sítio, olharia para eles e nada veria. De lamechas pouco ou nada tinha. Ela estava normalíssima de rabo de cavalo e casaco, ele de chapéu (boné) e casaco quente, por sinal, e após aquele longo beijo separaram-se por direcções opostas. Ele tirou as chaves do carro e abriu a sua porta e ela, sem olhar mais para trás, seguiu em frente em passo decidido com o seu rabo de cavalo enérgico.

Enfim...é por isto que gosto de andar de autocarro. Porque me sinto uma observadora constante na minha pequena redoma em forma de cadeira de tecido azul e janela lateral. A minha janela. A janela que apesar de passar todos os dias pelos mesmos dias, me consegue mostrar coisas diferentes.




*





[Escrevo estas linhas em surdina. Quase que escondo o que tenciono escrever, como criança em teste com medo de ser copiado. Não me levem muito a sério. Ou pelo menos não as levem (as linhas) a peito. Leiam-nas e saboreiem-nas apenas na boca o gosto que vos tento passar. Mas não o digiram na cabeça. Não tornem as coisas complicadas, que para isso já cá estou eu.]
[Amber Valleta numa sessão fotográfica para a Elle US por Michelangelo di Battistta]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

*

Peço desculpa pela ausência dos meus pequenos testemunhos mas a paciência não tem sido muita. Prometo por, amanhã, aqui alguma coisa de novo.

Até lá...suspirem.


Pode ser que ele apareça.
[Frida Gustavsson]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nada diz fetiche como..


.. (re)encontrar uns óculos escuros perfeitamente redondinhos à John Lennon e levá-los para casa para estimar. E brand new House e Cullum em doses quentinhas antes de ir para a cama.


[Elly Jackson na imagem]

*

sábado, 31 de outubro de 2009

paralelismo.


Num mundo paralelo iremos caminhar pelas ruas quase desertas de lisboa depois de uma longa noitada de risos, cafés, boa música e copos de imperial sentados nos degraus da calçada. E talvez - e apenas talvez - possa aspirar a algo mais.

É agridoce meus caros, é sempre agridoce. Sinto-me bem mais perto desse cenário (meio caminho, um quarto do caminho, setenta por cento do caminho?) mas ao mesmo tempo pareço nunca mais encontrar a tangente que me une completamente a ele. Será que existe de todo tal ponto de contacto? Será que um dia (ou uma noite, um crepúsculo, uma madrugada, um fim de tarde, um amanhecer) poderei mesmo enroscar-me nesse mundo eventual em vez de apenas roçar nele?
Aguardo silenciosamente.

[Robert Downey Jr. na imagem]
*

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vitamina Muito Pop e Muito Doce




Olha, e agora é que já me puseram feliz.

Penso, logo (mal) existo


Comigo, as relações pessoais que funcionam melhor parecem ser as mais estranhas. Ando ainda a tentar perceber o que raio isso implica e se explica alguma coisa sobre mim e os outros.
Penso, debato, especulo, filosofo, teorizo, divago, questiono-me.

E invariavelmente só chego a uma única conclusão.

Que penso demais.

O problema é que, para mal dos meus pecados, pensar é ainda o que eu faço melhor.


[imagem do incrível Justin Maller. http://justinmaller.com/]

sábado, 24 de outubro de 2009

Porque estou perdida no meio de ecos e as palavras só chegam até mim em surdina.

A ouvir:She Has No Time dos Keane. Esta foi curiosamente sugerida pelo camarada, aqui conhecido por dude Woodstock, que ao que parece quer distância de mim. E eu nem sei bem porquê. Sou tão normal...

[Adrien Brody e uma senhora de qual o nome me é desconhecido. Perdão.]

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Porque sanidade e serenidade precisam-se...

...para aguentar a minha forma de pensar. Quem me dera que tudo pudesse ser silenciado. Que as longas e vertigionosas frases que percorrem as nervosas sinapses do meu cérebro, ficassem suspensas no ar. Que cansativo que é ser eu. Que trabalheira é tentar viver no meio de tanta tralha mental. Deus me dê paciência para aguentar esta hercúlea tarefa até ao fim dos meus dias. É que se torna mesmo chato. A sério, que sim. Ao tentar desviar-me de uma pessoa acabo por tropeçar na calçada do passeio. Parvinha. Que parvinha que me sinto. Mas certamente que melhores e maiores dias aí virão. Até lá é manter a cabeça erguida, mente silenciada e coração apertado. Tem de ser. Tem mesmo de ser. Afinal de contas é uma questão de timing, segundo ele. Pois e se não for? Ai o coração lá dá um salto. E os detalhes? Só dou mesmo atenção ao detalhes? Bolas, outro solavanço. Ai que ele ainda me salta do peito. A questão aqui é tão simples que até magoa à primeira vista: não é o coração que manda, logo não é ele o culpado. A grande mafiosa de que aqui falamos e fazemos um retrato, é mesmo a minha mente. É ela quem não me dá descanso. Nem mesmo com um apagão. Nem mesmo com uma boa noite de sono. Nem mesmo com um longo banho quente. Nem mesmo com o pés quentinhos depois de calçar umas meias púrpura. Eu acredito, e podem-me chamar tola, que ela irá sossegar mas só daqui um conjunto de dias, quanto tudo já estiver mais encaixado. Até lá dedico-me falsamente a estes posts inúteis que de pouco servem para o meu apaziguamento e que pouco contribuem para a manutenção da qualidade deste blog.

Ah peço ainda desculpa por o registo deste post ser tão contrastante com os posts publicados anteriormente pela minha camarada, mas acho que a ausência de cotacto com esta também tem as suas culpas. Enfim uma vez criatura de hábitos, sempre criatura de hábitos.


Com pouca ou quase nenhuma edição. E ainda com o grande risco do título pouco se relacionar com o texto. As minhas desculpas sinceras.




[Helena Bohan-Carter]

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Super Mulher


Há já umas semanas, desde que a coisa passou a tornar-se séria, que tenho esta nítida sensação que estou de facto noutro patamar completamente diferente - quanto mais não seja a nível de trabalho, que aí não tem mesmo nada que enganar. E à parte bibliografias e bibliotecas, aulas e eventos, pesquisas e trabalhos... o que eu sinto é mesmo que a fasquia subiu. E muito.

Os projectos são exigentes e obrigam-te a desconstruires-te e a desafiares-te constantemente em todos os sentidos; tens de estar em cima de um assunto, do assunto, de todos os assuntos - tens de o dominar e ser um especialista nele; tens de te superar mas também tentar superar os outros. E é tão difícil. É aliciante e entusiasmante e a tua creatividade deve ser esmifrada ao ponto de ganhar uma elasticidade que ela nem nunca concebeu. Mas são todos bons de modos tão diferentes, com pontos fortes e fracos, e estão todos ali porque fazem o que querem e o que sabem fazer. Há ainda os ridicularmente bons mas esses só te espicaçam ainda mais: trabalhos espectaculares que nos põem a um canto mas que te fazem ousar presumir que também conseguirás - talvez melhor. Dezenas de livros para ler, inúmeras exposições para visitar e, de súbito, todo um universo de potencial matéria mais ou menos bruta de inspiração e de carga de cultura geral que queremos abarcar. Sei tão pouco e no entanto...

Oh, se pudesse ser uma dessas super mulheres.
--

Skin dos Skunk Anansie na imagem e música Tracy's Flaw.

Porque a música e a personagem evocam um poder inimaginável.
Porque a melodia me persegue à dias como vício depois de uma nostalgia esquecida e revisitada.
Porque a letra grita bem fundo e profundo.
Porque é preciso ouvir bem alto.
Porque é preciso ouvir com tempo.
Porque a ouvi-la sinto-me por momentos super-mulher.




E desculpem a dísparidade de registos no mesmo dia. Não há direito mas às vezes é mesmo assim e não de outra forma.



*

Choram choram mas afinal até fazem coisas com piada

Cá ando, mais activa do que há muito tempo e mais consciente também (pequenos passos, pequenos passos). Hoje foi apenas mais um desses dias que me encheu com uma boa e tão proveitosa e memorável experiência nesta área: foi-se a ver, e acabei por participar num workshop aliado à iniciativa da Experimenta Design e daCoca-Cola (Light) Gosta de Ti.

A premissa foi relativamente simples: perguntaram se haveriam uns escassos nove eleitos que se queriam voluntariar para o projecto - com bonus de dia sem aulas justificado - e lá alinhei. É claro que de tão esperta que sou, que acabei por ficar meia-hora perdida em ruas avessas e estreitas de Lisboa, para cima e para baixo, até dar com o malfadado lugar.

Mostraram-nos a exposição e explicaram-nos os conceitos - a nós e a mais outros tantos gatos pingados de design e design de comunicação de outras universidades que também lá estavam. Do trabalho, o desafio exigia que num tempo relativamente curto nos organizássemos em grupos e, com uma palavra-chave aliada à própria coca-cola e com material recolhido pela campanha, formássemos um objecto completamente novo.

Juntei-me a um rapazito da minha turma e a três meninas de belas-artes do porto. Das maravilhosas caixas de tesouros perdidos com naprons de porcelada, rendinhas, bordados, sapatos velhos, cestas e cestinhos, caixas e caixinhas, e gravatas (oh, quantas gravatas) lá vasculhámos por incálculável material - ainda que 80% das vezes sem utilidade prática aparente (ou um caracol de porcelana ou um sapatinho pontiagudo de fivela dourada não fossem um de tantos objectos peculiares).

A nossa proposta passava então por criar novos formatos para a marca com o que quer que nos fosse aparecendo sob o signo da "forma única"; e por isso mexiamos-nos rapidamente e procuravamos soluções estranhas e inesperadas, testávamos encaixes, materiais, sobreposições e colagens toscas - a mesa era cenário e vítima de guerra. O tempo acabou e as primeiras versões meio incertas, meio corajosas foram apresentadas em primeira ronda a um juri receptivo (com direito a esboços in momento e tudo!) que deu as critícas iniciais e nos preparou para uma segunda fase: amadurecer os objectos e apresentá-los perante alguém que nunca os vira, defendendo-os como quem vende o seu produto.

Time out para almoço, no entanto. A febra veio bem a jeito e mais dois dedos de conversa tornaram o serão bem passado. Chegámos, escolhemos os protótipos que deviam vingar, pensamos numa campanha sólida e, chegado o momento, pelo menos defendemos aquilo que nem uns valentes. Sentia-me nervosa mas também como uma pontadinha de orgulho profissional. Tinhamos alguns argumentos fortes e eloquentes e, ao sinal de aprovação, não só foi uma pequena vitória: afinal também recebi um pack de latas de colas light bem jeitosas.

E como salientou a minha querida irmã quando cheguei a casa:

"Que bom, já não tens de roubar mais!".

Pois não. Agora que ando em workshops a vida é outra coisa.
Um amén saudoso para todos vós.


P.S: dos outros trabalhos também resultaram coisas incríveis - regra geral, pouco ortodoxas. Na volta ainda desci o Bairro Alto e, não satisfeita com o pack, roubei tudo o que era revista e material grátis a que tinha direito. No fim ainda tive tempo para me meter num carro e assustar por alguns segundos o meu instrutor com uma manobra brusca de última hora numa rotunda. A vossa menina está é a ficar crescida e vocês não querem admitir.

O site do projecto: http://www.cocacola.pt/projectogostadeti/

*

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fé...

"Não percas a fé no dude Woodstock."

vou.me esforçar. a sério que vou.

[Emile Hirsch]

Raindrops keep fallin on my head

Porque está a chover e acreditem ou não, a chuva faz-me sempre ficar romântica.

[Natalie Portman na foto]

domingo, 18 de outubro de 2009

Um domingo

Pois que hoje se passou mais um domingo. Mas quero desde já partilhar convosco, meu público imaginário, que este dia se passou de maneira diferente à usual. Além de ter feito uma directa na noite anterior para acabar um trabalhinho da faculdade (sim, é tanto o entusiasmo!) e de só ter dormido 4 horas, acabei a minha noite a passear pela cidade.
Tudo começou quando decidi acompanhar um colega de turma para ir ver um conjunto de curtas-metragens do VII Festival de Internacional de Cinema, também conhecido por Doclisboa.


[Ah se o meu antigo professor de Área Projecto me visse agora..."-Quem é o intelectual agora...?"]


Estas estavam contextualizadas no ciclo de cinema dos Balcãs, permitindo-nos assim, ter um novo vislumbre pelos vários países que deles fazem parte. Abrindo com Sérvia e Eslovénia, passando por Montenegro e Bósnia-Hierzgovina, indo até à Croácia, sem esquecer o Kosovo e a Macedónia, todas as diferentes nacionalidades e visões foram transmitidas.
De começo atrasado e com mudanças de bobines abruptas pelo meio, a verdade é que hora e meia lá se passou e quando pensava que o convívio estava findado e se deveria preceder às cordiais despedidas, eis que surge uma ideia:"-Vamos comer qualquer coisa?"

Porque não? As crianças estão com o progenitor (informação obtida via chamada), o trabalho já está despachado, tenho alguns trocos na carteira e conversa engatilhada, e acima de tudo...é domingo. E apesar de amanhã tudo recomeçar, hoje ainda temos algumas horas pela frente em que não nos podem tocar. Não podem.

O jantar é comido e um passeio pela baixa, aproxima-se.
No meio de todo aquele vazio das ruas e daquele cintilar laranja dos candeeiros no passeio, palavras formam despejadas e frases foram soltas. Falamos, falamos e andamos, andamos.


[Tudo isto só com um rapaz.]


E perguntam vocês se estou apaixonada, se estou enamorada ou até mesmo se o vejo como possível interesse. Pois a resposta é: Não. Não. E não.

Já separada, depois de uma discussão sobre a minha segurança à noite na baixa e de querer ficar comigo até a minha boleia aparecer, cheguei a um sítio de antigo alcance:


"A verdade é que já me tinha esquecido de como é bom
ter amigos em vez de potênciais namorados."


E tudo isto ao som de uma bossa-nova tocada numa guitarra por um homem de cabelos compridos e olhos amêndoados frente à "Brasileira" do Chiado debaixo de uma noite fria e ventosa.



Um sincero bem hajA

*

[Chaning Tantum e Amanda Seygfried na pausa da sessão fotográfica para uma produção da Vanity Fair. Gosto da simplicidade.]
p.s.-Que as minhas palavras vos alegrem um pouco. Porque além de estar com um amigo, estou bem e mesmo que algo mude, ninguém me apaga o agradável tempo que passei hoje.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Voar

Porque hoje estou bem disposta, bem humorada, optimista, com vontade de dançar e de beijar. Espirituosa, contente, com um brilhozinho nos olhos até, se quiserem. A soltar risinhos aqui e ali.

Não me perguntem porquê porque não irei dizer. Apenas hoje senti-me bem. Muito bem mesmo.


Não me interessa o futuro e o passado já lá vai. Se correr mal, correu. Se correr bem, ainda melhor. Cada dia é uma dia e aprende-se cada lição caíndo. Por isso se cair, lá me levantarei. Mas se voar...



*




Estou a viver o presente.
A viver a vida, finalmente!
[Jason Gordon Levitt na foto para uma sessão da Vanity Fair]

terça-feira, 13 de outubro de 2009

18


De súbito (e nem sem bem como, que estas coisas acontecem sob aviso mas sem pretexto) dei por mim a alcançar esta infame maioridade oficial. E foi como se o mundo me apresentasse, mais que um rol de infinitas possibilidades, um rol de infinitas e tão pertinentes perguntas:

Estará a cilivilização moderna e ocidental, tal como a conhecemos, preparada para assumir em plena consciência que acabou de me legalizar como adulto integrado nesta sociedade? Poderão os nossos cidadãos responsabilizar-se por permitirem isto? Eu? Oficialmente adulta?
E contudo também já o fizeram e continua-lo-ão a fazer com uma série de outras criaturas que então nem se fala. Com bestas e animais. Com loucos e génios. Com idiotas e psicopatas. Com obsessivos-compulsivos e com sornas preguiçosos. Tudo isto foi feito automaticamente adulto e ainda assim passou com o mesmo certificado de validade.

(ou será possível chumbar a maioridade?)

Em última análise, obter o estatuto oficioso dos 18 anos é uma faca de dois gumes. É como se dissessem: tens todo o mundo ao teu dispor - agora carrega-o às costas. Além disso esta é apenas a versão teórica.

Na prática, é toda (ou quase toda) uma outra história. E agora digam a essas crianças que olham os 18 anos com reverência ou respeito que é tudo uma mentira - isso e que o Pai Natal não existe. Mas isso já são regalias que aprendemos com a maioridade.

sábado, 10 de outubro de 2009

Volver

Volver...
con la frente marchitalas
nieves del tiempo
platearon mi sien
sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombrate busca y te nombra
vivir...
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez

[Porque era com este filme que Penélope devia ter ganho o óscar e não com o "Vicky"]

*música de Estrella Morello

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ah, ma Chérie


Existirá melhor epílogo para 2 semanas de engrenagens novamente bem oleadas, novas rotinas, primeiras impressões, períodos de adaptação e, atrevo-me até a dizer, de alguma (e tão bem vinda) leveza de espírito que um encontro inesperado e flagrante com "Chérie"?

(dificilmente).
Ou pelo menos, não com os mesmos efeitos. Porque esta personagem é nada mais que o regresso renovado e melhorado da Boémia Francesa - ou melhor dizendo, da boémia inglesa em plena Belle Époque, o que não deixa de ser muitíssimo irónico! Este é o nosso Garrel versão 0.2. É o filho pródigo retornado e momentaneamente idolatrado. É, em suma, a criatura perfeitamente intocável e platónica que brinca com os limites do meu imaginário - e convenhamos, não haveria razão para tanto alarido e surpresa não fosse esta personagem já existir em contornos na minha mente. Ainda antes de se materializar no ecrã.

Portanto, como a noite é longa e o fim-de-semana prolongado, fiquem com este cheirinho de "Cherie", com Rupert Friend como um nome definitivamente a apontar e Michelle Pfeiffer numa interpretação que tem tanto de elegante como de envolvente.

[tenho esta sensação que caio sempre no mesmo erro: não deixa de ser extremamente curioso como é que as personagens mais fascinantes seriam as mais insuportáveis num plano real. fica a reflexão]

*

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um bem haja à diversidade

Não sei o que me espera nos dias que se avizinham. Não sei que amizades travarei nem sei que pessoas adoptarei como amigas. Não sei ainda se terei muito ou pouco trabalho. Nem sei ainda se irei gostar ou não. Nem muito menos se me apaixonarei.

Também não me interessa. Sinceramente.

Só de ver que há diversidade, a minha alma irrequieta e, a meu ver, neurótica, sossegou. Há espaço para todos e há lugar para tudo.


*


Um generoso bem haja a isso



[na foto: Hugh Laurie para uma sessão fotográfica para a Vanity Fair em que têm de reagir perante três situações diferentes. Diversidade portanto
ESQUERDA: Um pai dedicado que se sentou à mesa juntamente com a mulher e com a filha de 15 anos para jantar e a última anunciou que estava grávida. CENTRO: Um estilista que se apercebe na manhã do seu importante desfile que nada da sua colecção está pronto ou fabuloso.
DIREITA: Um pomposo membro do Parlamento Inglês a dar um discurso que está a ser transmitido na BBC e que está fascinado com o som da sua própria voz.]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vitamina Pop da Noite



reparei não tinhamos cor no nosso blog há já algum tempo. vá lá, dancem - eu não conto a ninguém.

Sucker


É o eterno clássico.

Dormimos nós no mais profundo sono quando um súbito e enervante zumbido nos trespassa os sentidos e perturba o espírito. Abrimos os olhos de rompante e a percepção do que aquele zumbido representa rapidamente se transforma numa confirmação: acendemos a luz e avaliamos os braços só para ver uma marca de insecto ainda fresca. Uma não - uma, duas, três.. talvez até cinco se estivermos numa maré de sorte. Tão de sorte que a comichão alastra a todo o lado.
Ooh, maravilha. E isto tudo porque é pois a assinatura da tão inevitável e infalível

melga.

Jackpot. É claro que todos sabemos o que isso significa. Uma dose integral de melguinha pela noite equivale a pelo menos acender tudo o que é luz e procurar a maldita em cada canto do quarto com uma chinela na mão. Ah, todo o nosso epírito e sono admoestado exige apenas duas coisas: vingança e sangue - o nosso sangue!
Porque mais que as borbulhas do dia seguinte em si, é o grau de irritação quase sobrenatural que isto sempre me provoca - ou serei a única? Sou da forte opinião (e porque a meio da madrugada as opiniões são mais frescas) que possuímos um qualquer instinto primitivo de predador que acorda de forma quase "pavloviana" com estas intervenções; sou uma pessoa pacífica por natureza mas por essa altura já andava a divagar em regar a criatura com gasolina e madar.lhe um fósforo para cima. Por isso, se tivermos alguma restia de sorte e dignidade
matamos a melga.

Senão, como parece ser o mais clássico dos casos, vamos contrariados para a cama de novo. Sem sono. E com o endredon até à cabeça. Que é como quem diz que nem consegues respirar nem evitar o calor abafado e insuportável (sim, porque as sacanas só atacam quando está calor). Por isso ficamos novamente contra a parede: se dormirmos debaixo dos cobertores axfixiamos; se regarmos o quarto com insecticida ficamos satisfeitos mas também asfixiamos (e de forma tóxica); se continuarmos à procura perdemos de todo o sono; se ficarmos na mesma, ficamos na mesma. E isso é como quem diz "it sucks" .. literalmente.

Eu optei pelo sofá da sala; cobertor e almofadas incluídos. Felizmente é grande e confortável e à falta de consolo fica a televisão baixinha num canal de música só para embalar. E, pelo sim pelo não, lá também lá levei a chinela para ficar ao meu lado.
É que eu odeio melgas (e já nem falo das sociais) e de todas as longas e bem passadas noites tinham de chatear logo ontem, que me embuí de levantar cedo após um Verão a acordar ao meio.dia. Logo na véspera do minha estreia na universidade.

Já agora, correu bem. Melhor teria sido se não estivesse tão cansada - e eu ontem prometi à minha semi.consciência que exprimia aqui a sua revolta; para a acalmar e dormir as duas horas que lhe restavam.

Adeus e boa noite. Jared Leto na fotografia.


*

domingo, 20 de setembro de 2009

Perpétuação

Quem é que eles pensam que são para me tratarem daquela forma? O que é que eu fiz? Cheguei com uma mão cheia de objectivos e um sorriso expectante na cara, e então? Isso é crime? Condenável?
Serei a única a pensar assim desta forma?
Receio que a resposta seja afirmativa.
Merda. Estou a perpétuar o julgamento de algo que mal conheço.

[Deus queira que me engane. Deus queira.]


E o mais engraçado é que faltam 15 minutos para as 00:00 e o que sinto é desânimo, frustração e cansaço. Era suposto sentir alegria, afinal de contas "não se fazem 18 anos todos os dias!".

Johnny Depp na foto

domingo, 13 de setembro de 2009

Frase do Dia

"The last message you sent said I looked truly down, that I oughtta come over and talk about it.

Well, I wasn't down, I just wasn't smiling at you, yeah."


You Could Have So Much Better, Franz Ferdinand

sábado, 12 de setembro de 2009

Action!

Quero o meu direito a usufruir do mito.

Ainda tenho muitas crónicas no bolso. Que é como quem diz que existe uma quantidade infindável de palavras enleadas em pensamentos mais ou menos soltos, estados de alma que ficaram por exprimir ou ideias por explorar. E é a verdade mais pura e crua que nem sequer tive qualquer pretexto válido para este silêncio nem para não tocar tão prolongadamente nas crónicas. É assim, é assado, é frito e cozido: podia dar as justificações que quisesse, mas a questão é que grande parte das coisas que fazemos ou nos acontecem não passam de simples acções nonsense às quais tentamos dar algum sentido.

O que por sua vez me leva a perguntar: porquê esta tendência para ver as coisas de um ponto de vista quase narrativo então? Porque é que, por exagero, graça ou só por pensar demais, damos a certas ocorrências da vida um carácter quase épico? E, contudo, torna-se por vezes irresistível não o fazer. Daí que me sinta agora numa dessas fases.

Admito, a culpa é minha - minha e de algumas pessoas como Miss H. que compactuam com esta mesma forma de pensar: que uma série de acontecimentos e pequenas mudanças caminham só e irremediávelmente em direcção a um ponto fulcral de viragem. Que todos esses esforços e tensões (acumulados e agravados por exames, importantes decisões e cansaço) ou apenas longos momentos de entediante indiferença só se podiam reverter com algo novo. Um momento.

Este. No meu caso, o saber os resultados de entrada na Universidade.

Portanto sim, é tudo minha culpa. Eu criei um mito e sustentei.me nele, na crença que teria de encarar isto como uma série de etapas: primeiro, arrumar as coisas que tinham de ser arrumadas e fazê.lo num espaço com pouca manobra para erros; em segundo lugar, agir de forma decisiva e irreversível, algo tão angustiante quanto deliciosamente confortante mal escolhi o que queria e entreguei aquela candidatura de consciência limpa. De repente as coisas tornaram.se claras, serenas e depois.. foi só aguardar - até agora.
E uma vez chegada à meta final do meu mito (que só agora vai dar lugar a uma corrida muito maior, esta bem real e a sério) só quero poder celebrá.lo como tal.

Bolas, afinal entrei no curso que escolhi em primeiro lugar. No que queria e com margem para tal!

Por isso, nonsense ou épico só sei que quero a minha legitimidade para gozar este curto período, cantar alto e (caso ninguém esteja a ver) dançar. Para ouvir a minha lista de músicas feel good mood e de bicho carpinteiro sem me importar. Para dizer que marquei um ponto final e iniciei algo novo. Porque no final é disso que se trata: não de acabar o liceu ou de entrar na universidade mas de ter de recomeçar e jogar com novas regras.

E se quisesse de facto usar uma justificação mais épica, diria que não há melhor forma para quebrar um longo período acções suspensas como iniciar um relato com uma notícia destas.

[Os Beatles na fotografia]

*

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A importância de fazer o Ernesto

Está na hora. [Nada mais me vem à cabeça senão todos estes vários acontecimentos isolados que estranhamente têm se encaixado num plano superior e estranho. Todos juntos apontam para a mesma coisa ou pelo menos para a mesma mensagem. Asseguro.vos que a irão descobrir ao longo destas tortas linhas.]

Há dias conheci o novo "namorado" de uma das minhas amigas de infância. X chama-se ele. É um rapaz alto e magro. Cabelo meio desgrenhado, pelos ombros de um castanho meio claro. Barba de dois dias. Olhos brilhantes e sorriso sempre pronto. Portador de um género muito próprio. Daquele que para nós é querido e original e para ele normal e rotineiro, banal até. Ao longo da noite pude descobrir outras características como o seu sarcasmo, inteligência e sentido de humor. Gosta de danças de salão não de tecno ou transe. Deu uma nota de 10 euros para pagar uma viagem de 5 e ia-se embora sem troco. Sem fantasiar ou extrapolar, este rapaz, inexistentes leitores, é em metade (senão mesmo totalmente) a personificação do tipo de rapaz que passeia nas paredes invisíveis do meu imaginário.

O mais curioso é que a minha amiga em questão em nada se assemelha com ele. Quando me dava as pistas iniciais sobre o rapaz apressou-se a assegurar-me que não teria nada de sério ou que não ia assumir nada de muito complicado, embora estivesse apaixonada. Sim ela está apaixonada, a pobre coitada. Apaixonada, não embeiçada ou engraçada.
São diferentes e moram a pelos menos 5 países de distância. Razões perfeitamente válidas e justificáveis para a sua racionalidade. Mas então se é assim porque é que ela resolveu aceitar esta experiência? Porque é que o deixou vir ter com ela a Lisboa se depois a despedida será muito pior? Para quê 5 dias solarengos, regados de passeios e beijos se depois no final da semana as lágrimas são mais que garantidas?

[Porque vale a pena. Vale sempre a pena. Sempre.]

A impressão ou "comichão" que me fazia antes ao vê-los juntos, agora dissipou-se. De repente percebi: sim é verdade que em nada são parecidos e sim também é verdade que dava tudo para ter um rapaz assim ao meu lado e que, em surdina, me sinto um pouco, ok muito, injustiçada. Afinal de contas das três amigas eu sou a mais intelectual, sou a que mais me esforço para saber mais ou para encontrar algo ou alguém onde me sinta realmente identificada e assim do nada ela aparece junto a mim com um rapazinho daqueles. É claro que sinto algo. Não sou de ferro. Mas também assumo que o sinto e não torno essa sensação agridoce em algo negativo. Não.
Ela mereçe, disso não tenho dúvidas. Tudo isso não deixa de ser verdade mas se virmos bem o que ela está a sentir, já eu senti...no verão passado. Confesso que não sentia nem metade do que ela sente por ele mas conseguia sentir-me feliz, diferente, adulta mas acima de tudo mais liberta.

E lá está ela deu-lhe algo que eu ainda não lhe podia dar, o que nos leva à segunda questão. E por isso mesmo sinto-me uma tola, uma idiota e atrasada.

"-Não existem príncipes encantados."
"-E julgas que eu não sei?"
"-Sabes perfeitamente que tens um ritmo diferente. É assim mesmo e não vais morrer por causa disso. Cada um é como é."
"-Sim, sim..."
"-Agora também não podes ser niquenta ou esquisita."

[Obrigada pai, fizeste-me sentir muito melhor.]

"-Mas que mania é essa de eu ser niquenta? Eu não sou assim! Bolas!" (É que não sou mesmo!)

Deviamo-nos auto-congratular por sermos cidadãos de uma sociedade significativamente aberta em que o sexo é tratado como uma banalidade (às vezes até demais). Um sociedade que prima, na generalidade, pela informação e planeamente familiar. Uma sociedade que aceita de braços abertos jovens ainda virgens. É quase grandioso. Obrigada Senhor! Mas se tudo isso acontece porque raio me sinto, mais do que nunca, pressionada para o deixar de ser? E não sou só eu, acreditem. É lixado.

E aquela sensação estranha de atraso insiste em aparecer por muito alta que esteja a música.
A questão é: se somos assim tão diferentes e especiais, tão fieis enquanto amigas, responsáveis enquanto filhas e aplicadas alunas e mais uma caixa de cartão cheia de palavras bonitas porque raio não merecemos um rapaz "porreiro" como prenda?
A sério. É que não faz sentido. Nenhum. (Tal como este estúpido texto que em nada contribuí para este blog.)
Mas sabem...ás vezes consigo sentir-me muito mal. Tento acreditar e convencer-me que é assim mesmo que as coisas são e que cada um é como é. Que quem tiver de aparecer simplesmente ainda não apareceu. Mas que irá aparecer.
E se isso não for verdade? Se de repente ao toque de umas palavras mais ríspidas não me vejo realmente tal como sou: uma daquelas miúdas de camisa de noite com o dedo na boca e com o urso preso na outra mão à procura de algo enquanto chucha pacificamente no seu pequenino dedo.


*


Tudo isto, perguntam-se vocês, para quê? Para nada ou para tudo. Escolham. Para mim era urgente. Tinha de tirar todas estas frases encadeadas em raciocínios estranhos da minha mente senão não iria aguentar até ao final da semana. Agora e atenção não confundão este post que é um desabafo desajeitado com um discurso "uh-não-gosto-de-mim-porque-ainda-não-tive-sorte" ou algo "Libertem os virgens!".

Um bem haja bem escondido...

[na foto: Clark Gable e Claudette Bernard numa cena do filme "It Happened One Night" de Frank Capra. Vale mesmo a pena ver até porque percebem o porquê desta imagem]

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em Suspenso


Não estou com paciência para escrever. Achei por bem avisar-vos já para o facto pois este pode criar desde já uma forte probabilidade de o teor deste pequeno post ser fraco.
Não tenho paciência para escrever porque, e tal como à minutos disse à minha camarada deste belo blog, nestes últimos dias tenho andado muito mais técnica que filosófica ou "flutuante".

Tenho andado a arrastar caixas, empurrar estantes, limpar o pó a inúmeros livros (acreditem, já lhes perdi a conta!), pintar paredes, deitar for papéis e sei lá mais o quê. Tem sido portanto um tempo de acção, não de palavras ou suposições. Entre idas a grandes superfícies onde as pessoas arrastam o seus olhares vagos pelos preços e acertos de mobília aqui e ali, o tempo parece ter voado.
Mas não à velocidade que eu quero. Afinal de contas, continuo à espera. À espera. E não há dia em que não pense nisso.



Não há baldes de tintas ou estantes em promoção que me salvem, que calem esta pequenina voz que insiste em vociferar em surdina mesmo ao meu ouvido.
E é esta a questão pela qual também não me quero pôr com floreados e cenários. Não quero, não me apetece e não posso. De forma alguma.



Até lá continuo a enfiar a minha cabeça no mundo doméstico com a esperança de conseguir obter alguma, ainda que falsa, serenidade bem fresquinha e à sombra ideal para longas sestas.



Sem mais demoras, despeço-me meus eternos e fiéis camaradas que agora devem estar em àguas algarvias ou em bibliotecas municipais bem fresquinhas (sim, porque o nosso blog consegue alcançar todo o tipo de pessoas!) a ver o tempo passar.



p.s.-a gerência lamenta profundamente o ausência de contacto a que sujeitámos os nossos caros leitores até agora!


*





[Sean Penn na foto tirada por Mary Ellen Mark em 1983 na peça "Slab Boys" na Brodway]

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Peter Pan, licor e dois dedos de conversa

É licor na minha boca. Desce quente e desagradável pela minha garganta, assim tomado de mal sentada, faz.me inspirar o álcool e abre.me as narinas, leva.me até a tossir involuntariamente com o choque. Depois fica o ligeiro ardor na garganta, estranhamente aquecida, e o sabor na boca que afinal reconhece algo de doce e meloso. Bebo mais um, inevitavelmente aliciada, e mal não fará, decido. E assim se retoma o ciclo.
Leve e despreocupada, mas não inconsciente, talvez fosse mesmo melhor ser assim: viver constantemente embrigado e a flutuar neste estranho mundo de indefinição e incerteza; olhar as coisas como se fossemos sempre o espectador e até rir.mo.nos das bizarras circuntâncias em que nos encontramos. Não corremos riscos nem tomamos responsabilidade, simplesmente deixamos os acontecimentos correrem e esperamos para ver o que acontece. Que bom seria flutuar ao sabor da maré (como os rangidos de um barco sabor ao mar), que reconfortante deixarmo.nos andar perpetuamente em modo de piloto automático.
Pelo menos é o que pensamos na altura e, ainda que exista um mundo a efeverescer lá fora, as coisas não parecem assim tão más.

Mas é claro que a ressaca sempre vem.
E não é cortêz nem não pede licença: é um cobrador de impostos, uma chapada na cara, um duche de água fria. É a dor de cabeça e o corpo pesado, é o sabor amargo na língua e a frustração, cansaço e até arrependimento que seguem de mão dada com ela. É apenas a realidade (destroços em farpas de barcos encalhados na maré vazia) que vem à tona. E damos assim por nós a dançar entre estes dois estados de alma, por mais que uma vez.

Entretanto o mundo lá fora faz o resto: sabe o que quer, para onde vai e com quem vai. Já tem as notas, entregou as candidaturas, decidiu curso e faculdade; já arranjou a carta e o carro e sabe em quem votar, com quem estar e como estar. Tem controlo e poder de decisão e faz.te questionar se, no fundo, não tens andado a viver a vida em ciclos constantes que alternam entre a embriaguez e a ressaca por mais que uma vez (marés em ondas suaves que brincam com os teus pés descalços na areia) . Continuas na Terra do Nunca e quase todos os outros já partiram dali ou se prepararam para tal. Estás perfeitamente desorientada e nem licor nem Peter Pan te valem.

Talvez fosse bom, para variar, tomar as rédeas da tua própria vida.


[não, não é fruto de embriaguez real nem de ressaca literal mas uma reflexão metarfoseada de balanços e pedaços da minha vida. Christian Bale na fotografia ]

*