segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sentada, curvada e embalada


Estou exausta. De rastos mesmo. É como se estivesse sentada de joelhos no meio de um campo enorme de relva fofa e verdejante. Sim, estou num sítio feliz agora. Pelo menos mais tranquilo. Mas que não é seguro. É apenas temporário. Ainda há pequenas gotas de água presas em cada fio de relva. Gotas minúsculas e transparentes mas todas juntas conseguem reflectir a confortável luz solar. Há uma atmosfera primaveril quase retirada de um anúncio de algum perfume francês. Tons verdes, brancos, amarelos que pairam no ar juntamente com a brisa que me vai puxando os fios de cabelo encaracolados e desarrumados. Estou de vestido branco. Algodão, parece-me. Leve. E não sei porquê consigo ver-me de fora. Estou de costas. E meio encolhida a cambalear, curvada, para a frente. Embalo-me sozinha. Estou a pensar. Estou a descansar. A tentar ganhar forças. Estou no meu hiato. E estou exausta.

Mesmo depois de teres tentado com todas as tuas forças levantares-te, reunires forças e ganhares alguma tranquilidade, as coisas voltaram a desabar. Sim, não foi com a mesma força. Foi em surdina, quase invisivelmente mas começaram a cair das prateleiras. As forças que nem há um mês tinha sido apanhadas do chão, limpas e colocadas nas estantes velhas naquela divisão pequena mas sólida. E agora dás por ti sem conseguir distinguir o real do falso, o genuíno da cópia. Farta de ouvir as várias frentes. Farta de tentar ser forte. Farta de tentar encaixar as forças onde elas nunca encaixaram. Farta de abdicar, tirar, cascar de cada vez um bocadinho das suas forças para que o encaixe se vá dando. O problema é que há sempre um dia em que quando as vamos buscar, por alguma razão banal, elas nem para isso já funcionam. Estão gastas, velhas. Desvalorizadas. Irreconhecíveis. E depois? Como arranjar umas novas? É tramado. 
Ainda mais se outras pessoas souberem onde as arrumas. Como é que estão dispostas. Como é que são etiquetadas. Depois é mais fácil que elas nos falhem. É mais fácil que quando tentemos dar um passo novo, aquele mecanismo, aquelas palavras e frases tão "sentidas" (se calhar até são) nos roubem as forças e aí caímos de joelhos. Tal como aquela menina do início do texto, no meio da relva verde.
As frase são tão fortes, tão lindas, tão cinematográficas. Prometem-nos a eternidade, misturam intensidade e recuperam memórias doces e amarelas. No entanto a facilidade como são cuspidas cá para fora em cheio para a ponta do nosso nariz também assusta. Até que ponto serão sentidas? Como é que essa pessoa tem a coragem de evocar tamanha fragilidade? A verdade é que ninguém tem o direito de mexer assim tanto com os buracos negros de cada pessoa. E essas frases são como raticida: as forças morrem ao mínimo sopro.

Então mas voltando às frases tão bonitas e lindas porque é que não cedemos logo de uma vez? Porque é que não ignoramos as forças? Aliás, porque é que não deixamos de as tentar arrumar e nos deixamos levar? Porque é muito mais fácil tentar voltar a um sítio onde já fomos felizes (por muito infelizes que, de facto, tenhamos sido) do que tentar seguir em frente. Então e porque é que sacrificamos tanta paz de espírito, lágrimas e soluços pelo "seguir em frente"?

Não faço ideia, acreditem. Neste momento tenho algumas forças guardadas. Forças que me foram muito difíceis de recuperar e não tenciono fazer nada sem pensar bem. Aliás não tenciono pensar mais muito menos sentir. Tenciono deixar-me estar. Tenciono deixar de estar curvada, desdobrar-me, esticar o corpo, deitar-me na relva e olhar para o céu. Preciso de ficar aqui ainda mais um bocado. Preciso de sentir que este lugar ainda é meu e que é palpável. Preciso de sentir que vou ficar bem, que vou ser feliz e que nunca, mas nunca, vou deixar de ser quem sou. Quero sentir que cresci e que tirei alguma coisa disto mas isso já são outros Carnavais. 

E no fim, permaneço, descalça e cansada à espera. Já nada sei nem quero saber. Só sei, de facto, o que tenho na cabeça e o que tenho no coração. 

Melhores dias virão. Terão de vir.


[o excelentíssimo Wagner Moura. Porque já tínhamos saudades.]

domingo, 4 de novembro de 2012

Saudades






Tilda Swinton por Richard Avendon.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

21.




Perdoa-me as pequenas alterações de conteúdo, mas hoje dei por mim a escrever este texto e achei que se enquadrava na crónicas pelas mesmas palavras praticamente. E sim, ri-me com a tua mensagem de há uma semana atrás sem saber bem como te responder a preceito, porém acho que isto pode servir como as actuais considerações do poeta. 


Os 21 vieram e os 21 foram, porém só me dei conta disso tarde de mais.

Em vez de ser antecipada, temida, planeada ou simplesmente evitada, esta data aproximou-se suavemente e depois voltou-se a ir embora como mal tivesse deixado um rasto mais profundo. O que pode parecer algo estranho de se dizer, ingrato até, quando o fim de semana fugiu por completo da rotina quotidiana: os meus pais e a minha irmã vieram-me visitar a Nottingham, matámos saudades, mostrei-lhes a cidade e explorámos os arredores. Comi talvez o melhor ravioli que alguma vez experimentei (um misto de molho suave de avelãs acompanhado de bom vinho que tanta saudade me tem deixado), fomos presenteados com um céu limpo que concedia uma nitidez notável a cada impressão, visitámos ruas mimosas, pubs históricos, catedrais luminosas e a imponência de algumas casas aristocráticas britânicas. Babei-me com a minha nova máquina linda (uma canon 600D de fetiche, quase) e encontrei o livro que procurava à meses, uma bíblia da inspiração visual no design editorial.

No entanto não deixou de ser um encontro caseiro, talvez na medida em que estas pessoas são de facto a minha casa num certo sentido ou pelo menos têm-no sido sempre até agora, e por pouco a data passava-me ao lado. Não é que não me lembrasse dos meus anos, do dia, até da semana. Simplesmente dava por mim a esquecer-me de sentir que era o meu aniversário sem ser por nada exterior a mim. Admiro profundamente a preocupação e esforço da minha família em vir cá apenas para celebrar esta data comigo e até fiquei admirada com a quantidade de pessoas que se lembrou de me dar os mais singelos parabéns, contem eles o que contarem na era do facebook. Mas foi apenas esta serenidade quente que senti e logo passou com a mesma leveza. Talvez seja normal. Ou talvez ainda, acaba de me ocorrer, seja assim que é suposto ser nos anos seguintes, os pós 21 (pelo menos até entrar nos ressentimentos dos 40)

É estranho porque é algo completamente diferente, mas ao mesmo tempo surge como a coisa mais natural. Nas próximas duas décadas provavelmente nós ou a maior parte das pessoas que conhecemos estarão instaladas nos seus empregos (mais ou menos confortáveis consoante as expectativas e o trabalho), iremos receber convites de casamentos e começar-se-á a falar em crianças. Porém não digo isto como qualquer forma de consideração temerária, no modo ressequido de um velho do Restelo. Mudanças importantíssimas acontecem neste preciso momento com esta minha primeira estadia independente no estrangeiro, todos os nossos projectos pessoais em mente, o limiar da faculdade à porta de entrada (e no teu caso, amiga cronista, a realidade bem táctil que se segue depois disso), bem como as nossas relações e toda a mudança, estabilidade, tensões ou conforto que vem com elas. Talvez esteja por isso demasiado ocupada com o que está a acontecer agora para ter qualquer juízo sobre um número que é apenas abstracto.

Julgo que é apenas o simbolismo. É o twenty something de um Jamie Cullum em pleno secundário e sentir que isso parecia profundamente distante, materializando apenas a ideia que qualquer jovem adolescente tem dos “vinte anos e qualquer coisa". É que uma coisa é vinte - mas o something, o “qualquer coisa” é diferente, não se define. No ano passado fui levada a participar nesta grande festa conjunta e dei por mim com a nítida sensação de que estava no rescaldo de algo diferente: era o pós interrail e o princípio do meu namoro com o tomás, o início do terceiro ano de faculdade e de repente estava a ajudar a organizar o tipo de evento massivo (aos quais costumo fugir) que reunia quase todas as minhas esferas de grandes amigos a conhecidos.

Agora a mudança continua mas de forma indelével. Não me atrevo a dizer que é uma questão de maturidade, mas pode ser que seja algo próximo.



Sarah Silverman por Martin Schoeller.

sábado, 29 de setembro de 2012

Carta Aberta #01





Meu caro Ega, aqui nos encontramos outra vez.

Talvez seja estranho que eu, ao fim de tanto tempo a escrever neste blog para partilhar as pequenas banalidades do nosso quotidiano (quando os cafés e serões ocasionais não chegavam), finalmente empregue os formalismos de uma carta aberta. Abri pois com o vocativo, já que não me pareceu necessário meter os meus dados pessoais e morada por cima, e segue-se agora aquilo que é tradicionalmente a introdução, a apresentação geral do tema a que me proponho. Desculpa-me o tratamento mas realmente és e serás sempre o meu João da Ega, ou o meu Carlos da Maia, já que na verdade nunca percebi exactamente qual de nós as duas era o quê - mas somos certamente esta dupla, da mesma maneira que somos Fry and Laurie, Paul and John e os Monty Phyton todos em amálgama. De novo, peço-te desculpa, não consegui evitar que os exemplos acima acabassem todos por ser britânicos de gema, na admiração estranha mas infinita que tenho por esse povo. Ou então sou um génio, pois repara como comecei por evocar o Maias que são o mais português em nós por natureza e acabar com o melhor do reino de sua majestade, transpondo assim um paralelismo pseudo intelectual sobre a minha partida de Lisboa e estadia aqui em Nottingham. Ou então sou simplesmente idiota.

Escrevo-te assim aqui em jeito de carta por várias razões: em primeiro como resposta à mensagem que me mandaste depois da cirurgia (seu Camões zarolho), mas também porque desde que cheguei que te quero escrever uma carta propriamente dita sem o falso hight-tech, “erasmus com ela”, do skype. Caí assim neste limbo que é escrever para o nosso blog empoeirado, ainda sem a aproximação mais táctil da carta (que virá, só não sei é bem quando) mas mais ponderado e pessoal que todas as redes sociais. Eu cá não acho que este blog seja uma rede social; se tanto, será talvez uma rede antisocial, e com orgulho atrevo-me a dizer porque pelo menos sei que a mensagem chega aonde quero que chegue e tudo o resto é livre de se juntar, mas só se entrarem na sala sem fazer barulho. Repara também como já lixei o formalismo da carta pois não consegui ser sucinta ao apresentar o propósito da minha escrita no primeiro parágrafo e agora ando por aqui às voltas como é meu costume. Mas ao menos assim saberás que sou eu quem te escreve e não outro impostor, digamos, com aparência igualmente agradável e cabelo subversivamente encaracolado. Além de que me encontro neste momento num café no centro da cidade e de vista para a rua, exibindo orgulhosa mas discretamente as minhas botas de Robin Hood e o mac fielmente ao meu lado para que pensem o quão intelectual sou e se perguntem que coisas fabulosas estarei eu a escrever neste momento. Escrevo para ti minha cara e, a bem dizer, acho que ninguém se rala particularmente com isso já que o resto das pessoas nestes café são intelectuais e fabulosas só por si. 

Fico contente por estares bem depois da cirurgia, se bem que não consigo imaginar o que possa ter sido no momento e em particular na vulnerabilidade em que estavas, ou como terás lidado com a frieza de quem te tratou. Estou mais descansada por o Ricardo ter ficado ao teu lado e feliz por tudo o resto já ter passado. Não tenho nada que rivalize com essa experiência excepto talvez aquele episódio que provavelmente já te contei, quando a minha irmã de 3 ou 4 anos me arranhou o olho na brincadeira e por isso tive também de andar com uma pala no segundo ano. Eu sei que não se compara mas assim temos mais algo em comum ou, por pelo menos poderemos dizer que já pertencemos a esse clube exclusivo de pessoas que usaram palas e sobreviveram para contar a história, por mais ridícula que fosse.

Por enquanto estou bem, não vale a pena fazer a descrição extensiva de todos os dias que já passei por cá até porque já falámos desde então. Há coisas pequenas que fazem a diferença e por vezes podem ser tão simples como o sol (raro) que entra caloroso e radiante na minha janela por vezes, como foi hoje o caso. A casa faz-me realmente sentir-me em casa, bem como o quarto (que é porventura até mais importante), já me oriento bem na cidade sem ter a sensação de que esta é demasiado pequena ou claustrofóbica e a universidade tem realmente outro dinamismo - dei por mim inclusivamente a inscrever-me no grupo de drama e de caminhadas. Estou desejosa de começar e esta deve ser das poucas vezes em que anseio pela próxima segunda. Nottingham não tem certamente o charme de outras capitais europeias mas sinto-me bastante bem por cá, desde que me mantenha afastada das grandes festas “griego salto” com filas ordenadas de raparigas vestidas de minnie e quase roupa interior em plenos 9ºgraus à noite. À parte isso vou descobrindo sítios bem simpáticos e pessoas também curiosas e amistosas no geral, mas no meu lento ritmo. Acho que vou bem mas sinto obviamente a falta de muita coisa e muita gente sendo tu obviamente uma peça importante na minha saúde mental.

Espero que as coisas por aí estejam a ir bem e que comeces a levar os teus projectos para a frente, com ou sem Londres ao virar da esquina, porque esse tipo de entusiasmo ninguém te tira.. Aproveita também a nossa querida Lisboa que cada vez mais me convenço que é realmente a minha cidade favorita. Até lá manhosa, grande beijinho.


m. ou curlis ou carlos da maia (sim eu posso ser o carlos da maia, esse incestuoso) 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

our time will come




Andamos tão desaparecidas que até mete confusão, né? Não se preocupem que aqui ninguém morreu. Antes pelo contrário. Andamos demasiadamente vivas a despachar exames, a finalizar trabalhos pendentes e a trabalhar mesmo enquanto a maioria do comum dos mortais anda a banhar-se na água fresca do oceano e a ganhar cor com este solinho bom. Enfim, our time will come...i hope.



Entretanto deixa-vos aqui uma imagemzinha boa daquilo que adorava estar a fazer com classe e boa disposição apesar de andar bem disposta. Porque apesar de não andar na praia a apanhar sol, tenho os finais de tarde e os cafés e conversas perdidas e beijinhos e viagens de autocarro com banda sonora e isso já é fantástico. Ah e a gratificação e satisfação pessoal. Isso também ajuda.








[miss Brigit Bardot no set do filme "A Very Private Affair"]

segunda-feira, 18 de junho de 2012


falta-me a textura ou as palavras para o que estou a pensar agora mas é algo nesta linha. bom resto de noite.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A espiritualidade de um bom pão quente



















Não sei exactamente porque vos escrevo agora, provavelmente para me distrair do exame de gestão que tenho amanhã e para o qual mal estudei. Na verdade sei, e o motivo é uma torrada quente com manteiga. Tão simples quanto isto, mas por ser simples não significa que não seja bom e até agora não vejo ninguém a fazer elogios e declarações de amor às torradas - sinto-me pois nesse breve dever.

O que é curioso é que o pão tem em nós uma mística que não conseguimos explicar. Para além de ser um alimento basilar na confecção de tantos pratos, é também algo que nos provoca e basta por si quando realmente bem feito. Não há cheiro como o de fornadas quentes em plena madrugada quando tudo o resto parece sombrio mas pouco sóbrio, não há sensação de familiaridade como a torrada simples que remete sempre para alguma nostalgia. Confesso-vos que em pleno serão nocturno de estudo esta prática raramente me passa pela cabeça, pois sou a amante mal amada das barras de chocolate quando o stress aperta, mas talvez seja precisamente por isso. É algo que tanto podemos comer à pressa e de forma desenchabida em plena rotina ou então é um reencontro estranho mas envolvente, lento a processar quando o ritmo exige outra coisa. Nesse aspecto julgo que não é diferente da relação que tive com a redescoberta do chocolate quente no inverno, ou com as colheradas silenciosas de mel no fim do verão passado. É o culto das pequenas coisas: vive por si e depois passa, mas por vezes é preciso termos precisamente isso para mantermos a sanidade.

Tenho exame amanhã mas estudei mal e porcamente, a trapos de miséria autênticos, e nem me consigo preocupar demasiado com isso para ser sincera. Quero aproveitar o sol de tarde só pela simples ideia de passear algures pela linha (que nestes dias de verão parece ganhar outra dimensão no meu imaginário) e talvez arejar com os santos populares à noite. Apesar das prioridade, aproveitemos o que há de bom pelo meio.


não sei o que me basta acrescentar sobre esta imagem (até porque a minha querida amiga kitch é que sempre dominou as subtilezas da hepburn) mas para mim é quase uma fotografia de cara e lençóis lavados, e da beleza das coisas simples nas entrelinhas.

sábado, 9 de junho de 2012

hoje vemos o jogo



..e eis uma equipa que não me importava nada de ver.

senhor edward norton e james mcavoy na imagem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

fuck it. enough of being pretty.



Entrar ou não entrar em espaço alheio/íntimo. É aí que reside a verdadeira arte da socialização num mundo como o nosso. Passei cerca de três dias a pesquisar sobre a vida de alguém que me foi muito querido para um trabalho. Tive que esmiuçar cada aspecto da sua vida, cada acontecimento, cada dor, cada gargalhada, cada pessoa que entrou e cada pessoa que saiu e no fim, consegui trazê-lo de volta, pelo menos o seu espírito, com a minha escrita. Mas nunca, nunca, nunca entrei na sua intimidade. Nem com o vasculhar em fotos, documentos, correspondência, relatos de familiares e de conhecidos entrei na sua intimidade. E consegui, no entanto, traçar um perfil e biografia fiel, ou pelo menos uma tentativa de. E estou orgulhosa por isso e disso. 
No entanto, hoje, entraram na minha intimidade da forma mais bruta, azeda e feia que se pode entrar. Não fiquei propriamente ofendida mas fiquei chateada por ao fim de tanto tempo, tal tratamento e troca de palavras ter acontecido. Não era suposto. E apesar da terceira pessoa que estava envolvida ter reagido correctamente e ter advertido a primeira, não ligou muito mais a isso. Está tudo bem, outra vez. Nada se passou. Vamos todos ser amigos. E no entanto aquela conversa, aquela utilização do termo "marido" não me sai da cabeça. Não por estar traumatizada mas por ter me apercebido da verdadeira pessoa que se trata e do verdadeiro peso e importância que tem na vida da terceira, que é com quem partilho parte da minha alma. Estou preocupada.


Estou moída. Estou desiludida. Estou irritada. Estou triste e cansada. E estou a ser demasiadamente directa.




fuck it. enough of being pretty.




*








[o grande Johnny Depp in da pic]

sábado, 2 de junho de 2012

houston..



























we might have already a problem (but can we deal with it with good company, meanwhile?)

hugh laurie e stephen fry, convidados especiais continuando o legado de actores britânicos que tenho vindo a publicar neste últimos dias - com muito gosto.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

these days









































.. e nas semanas que se avizinham

Tom Hiddlestone na imagem, rapaz que me tem andado a intrigar.

domingo, 27 de maio de 2012

já agora..


acham que devíamos dar a este blog uma nova cara, ao fim de três anos? não sei, estou apenas a pensar alto já que adio sempre estas coisas.

Eddie Izzard fotografado por Martin Schoeller - sem dúvida continua a ser um dos meus comediantes favoritos e, aproveitando a expressão, que senhor.

A não linearidade.





















Pois é, há o trabalho das últimas semanas como sempre e falta-me honestidade para dizer que está tudo sob controlo. Não está, serão muitos serões de queimar a pestana e este será um deles. É sempre o caos de última hora, mas é também um caos acompanhado do brisa de verão e da perspectiva do que vem a seguir.

Delinea-se um plano geral, ainda que vago para a férias, na promessa tentadora de tudo o que podemos fazer depois da purga das avaliações. Sonhamos um bocado aqui e ali, outras coisas tornam-se mais concretas, e outras ainda já me causam um formigueiro na superfície da pele só de as antecipar. Claro que a minha eventual ida para Nottingham em Erasmus se afixa nesse último capítulo, e digo “eventual” porque depois dos inúmeros contactos (muitos sem resposta) e diligências formais lá fiz e mandei as minhas coisas atempadamente - mas ainda não tive “a” confirmação final que só sai depois de dia 30 (esperemos). Portfolio revisto, refeito e reimpresso, formulários preenchidos e a carta de motivação, coitada, lá foi ainda um pouco murcha mas melhor do que no primeiro rascunho. Duas tardes inteiras para conceber uma folha A4 é algo estranho e mentalmente frustrante, no mínimo, porém o meu problema era de facto uma súbita falta de fé naquilo que iria dizer. Afinal como escrever uma carta de motivação com motivação incerta sobre que estou a fazer?

Mas a questão é esta. Não há apenas uma resposta para as coisas, nem uma linearidade absoluta no que fazemos. É verdade que eu não sou uma pessoa de princípios e aspirações “milimétricas” e a ideia de um certo desconhecimento de causa continua a assustar-me. Todavia cada vez me apercebo mais que não há vergonha ou miséria em seguir um caminho ligeiramente diferente daquele que originalmente delimitamos para nós desde que tenha um rumo, como me diz o Tomás com razão. E honestidade. Acho que nem me tinha apercebido da importância dessa afirmação e das implicações finais que esta acarreta.

Há um ano e pouco escrevi precisamente sobre a minha tentativa falhada de ingressar em Erasmus. Mas o post NÃO era sobre o Erasmus, senão em plano de fundo, e nunca o pretendeu ser apesar de se poder ler como um capricho em função disso. O que esteve em causa, isso sim,  foi a forma como as nossas acções viciadas (no meu caso, a propensão para me sabotar adiando compromissos compulsivamente) podem ter um impacto muito concreto na estratégia desenhamos, e como pequenas coisas podem afectar brutalmente um plano maior. Estava também em causa o facto de achar que tinha perdido uma oportunidade que era daquele preciso momento e que poria em cheque uma série de outras opções em cadeia.

A verdade é que pôs, e mudou muito mais do que poderia supor daí para a frente. Lembro-me do serão tardio no Starbucks de Belém em que fui ter com a minha querida amiga cronista e ela, das várias palavras certeiras, disse-me “se calhar isto não estava destinado”. Voltei a desfazer-me em lágrimas de ansiedade e frustração - de facto, já tinha ouvido esse mantra de várias formas ao longo dos anos e cada vez ficava mais céptica. Continuo sempre de pé atrás em relação à noção de destino já que pode ser a premissa para desvalorizar a responsabilidade das nossas acções. Mas a verdade é que, porque não fui fazer Erasmus nesse ano, aceitei a viagem de interrail no Verão que tanto prezei; foi por isso que logo depois comecei a namorar com alguém que me continua a surpreender e apaixonar, ao longo destes “otto&mezzo”; foi por isso que tive um dos anos mais difíceis mas igualmente mais interessantes no meu curso - que agora não dispenso. O meu professor introduziu o semestre com “provavelmente muitos de vocês não vão estar a fazer isto, vão seguir outros caminhos, especializar-se noutras coisas - mas o importante é que vocês compreendam durante este ano o que querem ou não fazer”. E o que poderia ser aterrador tornou-se para mim libertador.

Não sei se há uma ordem maior por trás das coisas que fazemos. Não quero com isto desculpar os meus erros sem aprender com eles, porém, há muito trabalho e para além disso há outra coisa que ninguém gosta de admitir - sorte. Só quero dar a entender que estamos minados de falsos becos sem saída, que há outra forma de fazer as coisas. Desde que nos mantenhamos honestos talvez nos consigamos orientar.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

aquela estação

Porque já estava mais do que na altura. Porque passou demasiado tempo e as palavras depois fogem sem avisar. Todos os dias penso em frases para pôr aqui, para vos mostrar mas acabo sempre por deixá-las fugir antes que o dia acabe e o cansaço leve o melhor de mim.

Assim como a tristeza tem levado o melhor, ou pelos menos quase, das pessoas. Assim como a ansiedade, a depressão, a angústia, o silêncio, todas estas palavras más têm parecido tentar levar o melhor de nós. Eu própria me incluo neste grupo. Nada de vergonhas, só verdades. Mas a tristeza parece ser a pior. Porque além de não nos apercebermos quando e como ela chega, é a que afecta mais gente. É a manhosa que se mascara de nostalgia e de saudade. É uma meretriz, uma puta mesmo. Cada vez que me sinto mais ansiosa, com menos sono em cima, com mais datas e prazos para cumprir, com desentendimentos e desencontros, com menos tempo para fazer o que gosto, para respirar começo logo a ressentir-me. É terrível como aí o cérebro corre a uma velocidade espantosa para os pensamentos mais tristes, mais sombrios, mais angustiantes. Aí ele é estupidamente eficiente. Por muito que nos tentemos ocupar mentalmente ou fazer um esforço monumental para trabalhar mais, parece que permanecemos ali, naquela estação de cimento, fria e mal iluminada num final de tarde bucólico. E nenhum comboio passa. E nós ali permanecemos. E só uma voz já treinada, um discurso já familiar me resgata daquele sítio feio. Só as suas palavras me puxam de volta às cores e ao barulho da rua. E cá estou eu agora. Acabadinha de levar um reset, como lhe gosto de chamar. Seja auto-imposto ou feito por terceiros. Às vezes é preciso, é vital. E sim, devemos fazê-lo aos outros assim como os outros nos devem fazer a nós. Tem que ser. Temos que ser uns para os outros. Tento não estar muito tempo naquela estação à espera do comboio e geralmente não estou, mas sempre que lá fico, penso e penso e penso, e no final quando estou cá em cima outra vez no meio da multidão, tento correr o maior número de quilómetros possíveis que me afastem daquele lugar. Se irei voltar para lá outra vez? Quase de certeza. Todos nós voltamos lá, seja por uma noite, por umas horas ou por uns dias. Todos nós já lá estivemos, já vimos o sítio e cheiramos o ferodo das linhas por usar. Basta uma pontinha de saudade, uma separação, uma perda, uma ausência, uma falha, um mau resultado, um choque ou uma má notícia como a que recebemos na semana passada. Tudo isto são razões mais do que legítimas para que a tristeza chegue e para que desçamos ao andar subterrâneo da estação.

Agora, o que vos deixo neste post, além da ideia de que deve ter sido o mais sombrio até à data, é que ir parar à tal estação é muito fácil, qualquer um consegue, agora sair dela é que é mais difícil. É aí que reside a arte e é aí que entrar o reset que só funciona com boas e importantes pessoas à nossa volta. 

Porque no fim de contas, a vida é curta demais para passarmos um minuto que seja naquela estação. E que a enorme perda cultural, humana, social, o que lhe quiserem chamar, que aconteceu há dias, o confirme.

Bernando Sassetti (1970 - 2012) cuja a sua existência gerou magníficas obras que me ajudam a gerar este texto.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Smells Like Sweet Summer







































Porque ainda que não seja já Verão e o tempo esteja instável, não é deliciosamente melhor alternar com calor e céu limpo? Lisboa é para dias assim, noites quentes, bebidas geladas e passeios junto ao Tejo.

A belíssima Marion Cotillard na imagem.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Freedom at 21




Já não me dou a sonhos e divagações capazes de romper pelas paredes.

Já não me dou às ideias explosivas, de estrondo e poeira violentos, aos projécteis disparados para perfurarem alguém ou se despedaçarem no meio da rua. Pelo menos na minha cabeça, a convulsão implodiu para ficar neste silêncio estático durante demasiado tempo. Estou desperta. Não, não estou. É conforme, para umas coisas sim e noutras fico parada - não é coerente. Dou por mim, mais vezes do que devia, reduzida à condição de “estar”. Estar atrás deste ecrã frio e de rabo na cadeira. Seja a trabalhar ou a não trabalhar. Continua a ser este ecrã - estéril, seco. Que aconteceu à paixão das folhas preenchidas e amachucadas, dedos sujos, à imaginação absurda que transborda das páginas de um livro só pelo prazer do mesmo? Que aconteceu a sugar a vida, ainda que fosse pelo que é violentamente irreal? A comodidade dá-me comichão mas permaneço nela. Estou ansiosa e por isso gosto de nadar neste texto absurdo.

Por vezes gostava de correr pela rua, velocidade supersónica, quebrar o contínuo espaço tempo e romper com as leis da física ao ponto de chegar onde comecei, encarar o meu passado e dar-lhe um estalo por ainda estar atrás do ecrã frio e de rabo na cadeira a escrever isto. A ausência de acção deixa-me assim frenética, “frénica” ou esquizofrénica. 

Boa segunda feira, vou agora trabalhar. Tilda Swinton na imagem, título baseado nisto.

terça-feira, 17 de abril de 2012

aquela quietude



que só a Bardot transmitia e que às vezes nos faz uma falta.

[Brigitte Bardot em St Tropez em 1962]

sábado, 14 de abril de 2012

Earl Grey e Paul McCartney



















Às vezes tudo o que é preciso é apaixonarmo-nos por uma música entre chá quente e tempo hostil lá fora, em fim de tarde, para deslizar inadvertidamente em modo introspectivo. É assim mesmo e desculpem-me se deixar o meu sarcasmo e “humor cáustico” hoje à porta no tapete por um pouco.

A propósito disto http://www.youtube.com/watch?v=f4dzzv81X9w&feature=player_embedded. Johnny Depp na imagem.

sábado, 7 de abril de 2012

Escape



Finalmente o direito à serenidade (com ou sem chuva).

Joanne Woodward e Paul Newman na imagem.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Estudos (incompletos) sobre a geopolítica e gestão do quotidiano




Hoje não creio que consiga fazer uma reflexão muito longa sobre o que quer que seja - há dias e dias, e uns são mesmo assim. Seja como for queria partilhar convosco apenas este pensamento: como a gestão das nossas relações no dia a dia encontra-se geralmente comprometida num balanço precário e envolta em pequenas formas de diplomacia. Isto não significa necessariamente que as coisas precisem chegar ao estado de caos para fazermos este balanço; pelo contrário. Julgo que é uma gestão que fazemos todos os dias mal dando por isso. Mas por vezes quase dou por mim a caminhar descalça entre cacos de vidro de assuntos mal resolvidos - é enganoso, é estranho e (não devia mas) apanha-me sempre de certo modo de surpresa.  Sei que precisamos de pôr as cartas em cima da mesa, por mais triviais que pareçam, porque senão incorremos no erro de banalizar algo, de não dar a atenção ao que é importante.

Porém, sinto que ultimamente acabo sempre a contar trocos para não ficar em dívida com nada.


Mikhail Baryshnikov e Liza Minnelli na imagem. / edição tardia, adiada - estranhamente enquadrada com o post mais recente da minha querida kitch mas talvez em planos inversos; não sei se isto faz muito sentido mas mantenho.

dias cinzentos


Está um dia cinzento esbranquiçado. Corre uma aragem fria. Os prédios parecem desbotados e as pessoas mais metidas com elas próprias enquanto carregam sacos também eles desbotados num passo apressado. Não gosto destes dias. Além de ficar mais pensativa, só ouço músicas mais melancólicas. É mais forte do que eu. E aí começo a pensar demais. Uma música recém descoberta por mim de Suvjan Stevens juntamente com um dia destes e o resto do dia está minado. Uma discussão na noite anterior com o seu fofinho também ajuda. Hoje sinto-me sozinha. Ontem senti-me sozinha. E sei que no futuro voltarei a sentir-me sozinha.

Não devia estar a confessar-me aqui mas não tenho outro sítio. A verdade é que não se trata só de um descuido ou de falta de atenção. Trata-se de diferentes formas de se levar a vida, de diferentes objectivos e de diferentes formas de gerir as coisas. Provavelmente não tem valor ou significado nenhum mas o problema é que eu consigo ver mais longe, mais à frente e por consequência, receio. Continuo a respirar e a andar como de costume mas estes dias em nada ajudam e a cabeça só continua a andar às voltas.

A culpa deve ser minha. Devia ter ficado de bico calado. Quanto mais de fala, mais se estraga. Superstição sim. (Nunca aprendes a lição). Neste dia branco e acinzentado nem triste estou. Estou moída. Estou chateada e aborrecida. E até continuaria a escrever se não fosse o meu pudor em expor coisas que nada interessam.

Vou arranjar uns sacos desbotados como os prédios e juntar-me à fila de pessoas que por aí andam em passo apressado, metidas com elas próprias neste dia cinzento. Ao menos não me sinto sozinha, não penso em problemas ao som de notas melancólicas. Só queria Sol e um sítio para onde ir. Só queria que ao fim de tanto tempo isto não se repetisse. Só queria não estar assim logo hoje num dia cinzento e frio. Só não queria ter razão. E, no entanto, aguardo.

(nem consigo incutir alguma coerência na minha escrita)



[Miss Scarlet no "Lost in Translation" da Miss Coppola]

quinta-feira, 29 de março de 2012

Dat Rain



Eu sou aquela besta que após vários meses de seca em Portugal,  ficha chateada por chover durante toda a semana de páscoa. 

Billy Knight na imagem, porque também precisávamos de cor neste blog!

terça-feira, 27 de março de 2012

O (delicioso) culto da trivialidade



Cada vez que aqui venho torna-se quase como entrar num velho quarto, meio empoeirado, mas que traz consigo uma boa sensação de familiaridade e de casa quando realmente me demoro. Essa sensação interessa-me particularmente e dou por ela de forma inesperada e nas mais pequenas coisas. Por exemplo o que me motivou a escrever neste preciso momento (e a sair um pouco do marasmo do meu silêncio e do sono que me ia apanhando), foi uma boa chávena de chá quente nas mãos, os acordes do piano de uma música que tanto me fez companhia que já quase a esquecera e, estranhamente, os apontamentos sublinhados ao meu lado.

Não me perguntei porque é que apontamentos sublinhados me dão também algum conforto deslocado mas a verdade é que sinto que, nestes últimos anos, tudo o que passa por mim é passageiro e filtrado por um ecrã. Os ecrãs dão-nos o espaço quase infinito e deles já não nos separamos (não fosse o paradoxo de estar a escrever para um agora), mas são frios e não transportam consigo aquela pequena beleza frágil e o universo táctil do papel. No papel sinto que não só me posso demorar como também sou convidada a faze-lo, a mergulhar um pouco mais fundo e não apenas raspando a superfície - mesmo que o papel em causa seja algo tão banal como fotocópias de trabalho a ler (e o apontamento mental que deveria estar a fazer uma recensão crítica e não isto; mas acho que no fundo ambas se ajudam mutuamente).

Coisa estranha esta da familiaridade do trivial, é um sentimento que me atrai cada vez mais pela sua singularidade. No outro dia ocorreu-me que a verdadeira cumplicidade é como “voltar a casa. Fiquei a saborear ainda durante algum tempo esta ideia, porque realmente sabe bem voltar a casa. Seja por um delicioso reencontro e conversa posta em dia (tão bom e essencial nas pequenas coisas), pelo abraço/conforto/equilíbrio pleno do fim de tarde ou pelo meu serão de fim de tarde com chá quente, música redescoberta e apontamentos em papel. Eis o meu pequeno momento de culto pelos momentos triviais que também o merecem de vez em quando em voz alta.

Isabella Rossellini na imagem.

segunda-feira, 12 de março de 2012

E aqui permaneço.


É estranho. Tenho pena mas mais vale escrever sobre isso, afinal de contas sempre tenho algo com que preencher este blog quase em coma visto que as vossas cronistas não têm tempo para nada. Tenho pena que tenha perdido o hábito de escrever aqueles textos descritivos onde cada momento que passava era dissecado até ao mais ínfimo ruído, até ao sabor mais escondido, até à pessoa mais alheada de tudo. Era uma escrita quase cinematográfica, confesso. Mas era realmente boa porque me dava prazer. Pode ser que com o passar do tempo lá volte. Dêem-me tempo. Esse mesmo tempo que nos afastou, que me afastou de ti e te afastou de mim. Deixa que não és a primeira pessoa e não serás certamente a última. Devia deixar, não ligar mas é me quase impossível porque me entristece em parte, porque não faz sentido, porque, acima de tudo, é um lugar que já não reconheço, traços já estranhos, gestos perdidos.

É o que é. Nada há a fazer. Depois da pena, resta-nos o indiferente encolher de ombros e sorriso cordial quando nos cruzamos. De qualquer das formas, para que saibas, estarei sempre aqui pronta a revisitar os nossos lugares, a recuperar os nossos traços e a recriar os gestos porque, apesar de também me ter afastado em parte, não me esqueci de nada.

E, aqui permaneço.


[the sweet Carey Mulligan]

sábado, 10 de março de 2012

time and space are (god damned) relative





Eu sei que a minha relação com o tempo é tudo menos pacífica (na verdade é uma saga épica com direito a explosões em câmara lenta e lutas com sabres de luz) mas porque é que para conjugar estes dois aspectos é precisa uma ginástica sempre tão rebuscada?

Katherine Hepburn por Richard Avendon na imagem.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1 + 1 = bromance



just like ours. Snap, bitch!



*



[Foto tirada numa cabine disponibilizada pela Vanity Fair no after party dos Óscares de 2011. 1: Amanda Anka e Leslie Mann e 2: Jason Bateman e Paul Judd]

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

letal



or not.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dúvida, Decisão e Determinação



(e como todos eles podiam participar numa sitcom conflituosa)


Este é um daqueles posts em que claramente o título diz mais do que consigo fazer aqui. Acho que em última análise eu é que faço um monstro de cada situação, por quanto mais tempo passa, em volta destes três conceitos. Nota de mim para mim: sê esperta.

James McAvoy na imagem.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

80 years already gone by



e no entanto esteve connosco pelas gargalhadas entre irmãos à volta de uma mesa e um brinde perdido numa cozinha tão apertada quanto barulhenta.


saudades suas, avô.

<3








[Clint Eastwood no set]

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Entre parênteses




O toque suave do vidro faz ecoar uma nota clara (como a campânula de um sino, lembro-me de ter pensado) que fica ainda a pairar alguns segundos. Penso que quando finalmente brindámos os meus dedos já estavam a ficar dormentes junto à base do copo, algo que nestes dias raramente me passa ao lado – confesso que começo a ficar cansada deste inverno gelado que me obriga sempre a manter o contacto por mãos frias, porém o frio e o vento são pano de fundo. Tinha muita coisa por onde brindar mas nestas coisas enrolo-me sempre nas palavras. Brindar, mas brindar a quê? É que no dia das frases feitas e dos pacotes “românticos” tudo o que se diz pode cair num lugar comum, e eu sempre tive muito pouca paciência para toda a procissão que envolve o dia de hoje. Podia ser o de amanhã ou de anteontem, pouco interessa pois é um pretexto. O que eu valorizo, isso sim, é o que está nos bastidores desses gestos, o que eles implicam, a forma de estar a longo prazo na sua vertente mais intimista. E nesse aspecto eu não podia ter maior forma de cumplicidade, admiração e paixão. O vinho é de facto inebriante, enche-me os pensamentos como tudo o resto. Sei que é heresia pensar isto em voz alta (pelo menos segundo o meu antigo testamento) mas sinto-me feliz neste momento: com a companhia, Lisboa à noite e as telhas debaixo de mim. Tenho muita coisa ainda para equilibrar e repensar, mas a heresia está em dizer isto apesar de tudo o resto. Ocorreu-me outro pensamento entretanto, quase em surdina: am I now one of the others? É um pensamento obscuro, não sei o que fazer com ele porque me sinto a mesma pessoa e porque tudo isto é apenas uma parte importante de mim - como todas as relações que mais prezo. Entretanto o corpo quase gelado e as horas cortam-me o pensamento e chamam-se à realidade.

Kim Basinger e Micky Rourke.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Focus




Gary Oldman na imagem.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



that's it.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Triste post inarticulado




Mas o que é este silêncio afinal?

Será que há medida que este blog evolui mais guardamos as palavras apenas para nós como objecto de estima? Como se os nossos pensamentos e experiências - tanto os bons como os maus - não se pudessem traduzir com clareza nestas páginas?

Na parte que me toca assumo a culpa da negligência deste pequeno espaço, mas eis a questão meus caros: um blog não é claro e muito menos objectivo. É profundamente hedonista, desorganizado, incoerente, dado a devaneios ridículos. Tem estados de espírito e cresce inevitavelmente. É, no fundo algo intimista e estranho mas com a potencialidade de chegar a outras pessoas. E embora eu tenha esta tendência estranha de escrever como se me dirigisse a alguém (quem sabe, porventura um público invisível do outro lado do pano) acho que desde o início o objectivo nunca foi exactamente esse: o de ser visto.

Quando eu e a minha amiga cronista criámos este blog há praticamente três anos (c’est pas possible!) creio que foi apenas como uma extensão de cartas entre duas pessoas cúmplices no crime, uma espécie de diário partilhado, ilustrado com as nossas imagens que também nos são tão caras. Certo que nada substitui uma carta à antiga com o seu universo táctil, pela forma como a recebemos e quando a recebemos, pelo que nela imprimimos ou até pela desarticulação de uma escrita rasurada, de não poder lidar com as hesitações de discurso que o computador nos permite corrigir. É difícil escrever uma boa carta. Estas dão geralmente demasiado de nós, são incontornavelmente honestas e pelo meio tenho sempre medo que se perca algo. Dei-me conta disso porque voltei a escrever umas quantas nos últimos tempos, mas penso que a analogia se pode manter aqui: este blog continua a ser para mim um espaço de reflexão, catarse, devaneio mas também de tentar comunicar algo, por muito distante que esteja.

Sim, tenho muita coisa a acontecer na minha vida, na minha cabeça e em minha volta que vos gostaria de contar - mais ainda neste momento. Acontece que por vezes não o sei como o fazer nem se o quero fazer. Porém vou tentar. Farei por isso sem que uma voz exterior me lembre da inarticulação ou pertinência do discurso. Não quero nem saber.

(porque se há coisas dignas de serem vividas, também estas serão dignas de serem mais relatadas, non?)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

das fotos com silêncio incluído III






Natalia Vodianova in LOVE magazine

domingo, 15 de janeiro de 2012

Doesn’t matter, the kids are alright




Carey Mulligan.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

the.girl.from.ipanema.












Scarlett Johansson in Interview magazine

domingo, 8 de janeiro de 2012

Rethink, rebalance, restart




michael pitt na imagem.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

das fotos com silêncio incluído II













































waiting...


[Nicole Trunfio by Aram Bedrossian for "PrettyWoman" phoshoot]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Calma.



talvez entremos com muitos pés esquerdos antes de romper com o direito. mas tenhamos calma e recomecemos. haja fé nas coisas e força para lutar por elas. haja honestidade no que fazemos.

bom ano novo, bom dia novo.


Michael Fassbender a abrir o ano.